Houve um tempo em que meu medo da noite fazia com que eu me debruçasse em lágrimas e encharcasse meu travesseiro. Não conseguia enxergar nada além dos monstros que saiam debaixo da minha cama e me deixava apavorado, eles sabiam da minha fraqueza, sabiam que podia me feriar... Esse monstros estraçalhavam minha pele, banhavam de sangue meus cobertores.
Ao amanhecer tudo sumia, não se via mais monstros, não se via sangue, muito menos lágrimas em meu travesseiro, o sol que atravessava minha janela fazia com que tudo aquilo se apagasse, como se não tivesse existido toda aquela agitação em meu quarto, como se fosse fruto da minha insegurança, foi aí que aconteceu... Saí ao sol senti minha pele sugar aquela energia, como se meu corpo alimentasse de luz, soltei um sorriso bobo e fiquei por horas olhando aquele sol, aquele brilho...
Não sei se me arrependo de ter olhando tanto tempo para aquele astro, pois ao olhar ao redor sentir medo novamente, o que via era apenas luz, gritei por socorro, ninguém me atendeu, eu ouvia tudo ao meu redor, pessoas rindo, dizendo que eu estava louco, debochavam de mim.
Eu havia perdido minha visão, e ninguém se importava com aquilo, passei horas enxergando apenas um feixe de luz forte, senti medo, todos agora agiam iguais aos monstros de saiam debaixo de minha cama...
Houve um tempo em que meu medo do dia me fazia forte, me fazia vivo, hoje vivo esse tempo. E a noite? Para mim sempre foi noite a diferença era que eu fechava os olhos para tudo, hoje sou obrigado a viver nesse mesmo escuro que me fazia tão mal, mas a diferença ainda é grande, pois a noite tem apenas meus monstros que eu aprendi a lidar e de dia tem os monstros que mesmo enxergando não sabia lidar, agora cego, tive que enxergá-los!

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